segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"Quem é que vai te dar ferramentas pra olhar pras coisas o tempo todo como se elas fossem encantadas e não simplesmente coisas?"

Tati Bernardi

Do texto príncipe azul:
http://www.tatibernardi.com.br/blog/post.jsp?idPost=79

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"A imperfeição é bela, a loucura é genial e é melhor ser absolutamente ridículo que absolutamente chato"

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Entrevista com Pondé

http://revistaalfa.abril.com.br/estilo-de-vida/comportamento/ponde-mostra-um-pouco-de-suas-polemicas-opinioes-em-entrevista-exclusiva/

Essa é uma entrevista com o Luiz Felipe Pondé, o polêmico colunista da Folha de S. Paulo. Na verdade ele é polêmico porque simplesmente fala o que as pessoas têm medo de falar e principalmente de ouvir. Não que eu concorde com absolutamente tudo o que ele fala, mas esse cara é genial. Ele aponta várias questões que precisam ser ouvidas, e aceitas para que sejam discutidas (e não escondidas), para que o mundo evolua. Desde sempre todo mundo esconde o que é considerado feio ou errado para não parecer que é mau, mas o fato é que essas coisas continuam por aí, sem serem discutidas e crescendo em algum lugar. O problema é que elas não desaparecem por não serem lembradas. Nelson Rodrigues foi, e é até hoje, polêmico justamente por lembrar essas coisas "escondidas", que ninguém gosta de falar. Por mostrar os podres da sociedade que são varridos para debaixo do tapete. E eu acho que o mundo precisa de mais gente como esses caras, que não têm medo de falar a verdade. Acho que o Pondé fala tudo com muito embasamento e não critica as coisas à toa. O problema é que as pessoas entendem tudo como elas querem entender, sem se darem pelo menos uma chance de pensar. Elas levam tudo ao pé da letra e não enxergam o real sentido da coisa, que é sempre muito mais abrangente do que parece.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Teatro e Brasília

Peguei parte da entrevista, que estava no Correioweb, com a Leo Sykes, diretora do Udigrudi. Ela falou várias coisas interessantes, mas adorei e concordei totalmente com o que ela falou sobre o teatro em Brasília. É mais ou menos a visão que eu tenho também. Então vou seguir o conselho dela, que sempre foi a minha maior vontade: vou embora de Brasília.

"Com uma mistura desconcertante de circo, música e performance, o Grupo Udigrudi surpreendeu a todos, ao ganhar o prêmio principal do Festival de teatro de Edimburgo de 2000, o mais importante do gênero no mundo, com o espetáculo O cano. A inglesa Leo Sykes é uma das responsáveis pelo salto do udigrudi, ao fundir as experiências do circo udigrudi, do Música-à-tentativa e do liga tripa." Correioweb


Brasília já foi bastante experimental nas décadas de 1980 e 1990. E, hoje, ela perdeu a inquietação e virou uma cidade cover?

Não sei se isso é algo específico da cidade. Brasília tem um nome muito bom para a música. Se você fala que é de Brasília, as pessoas de fora respeitam. Mas se fala que é de teatro, elas desconfiam. Existem trabalhos em teatro muito bons, mas o problema é a invisibilidade. O que tem visibilidade é o besteirol. A grande doença da cultura em Brasília é o amadorismo, todo mundo faz teatro nas horas vagas, ninguém consegue viver disso, mal nasce, já morre. O custo do aluguel de uma sala em Brasília é altíssimo.

Que conselho você daria para os atores jovens de talento?
Eu digo sempre para eles: “Vão embora!”. É cruel, mas fico com medo de que eles morram como artistas.

Brasília odeia a cultura?

É uma coisa louca. Brasília ama shopping, carro e odeia a cultura. Ao mesmo tempo, não temos praia, a única opção de diversão e vida social é a cultura. Brasília deveria investir algo e ser uma Las Vegas da cultura.

*Entrevista na íntegra: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2011/10/16/interna_diversao_arte,274100/brasilia-devia-ser-a-las-vegas-da-cultura.shtml

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Trastes de nós mesmos

"Resolvi recentemente quebrar o ciclo. Eu também sempre me apaixonei pelo mesmo tipinho. Garotos charmosos, fãs de rock indie, descoladinhos de tênis coloridos, fãs de cinema europeu, artistas e completamente zoados de cabeça. Dai conheci um careca gordinho, médico e aparentemente descomplicado de alma. Saímos por arrastados três meses (eu não gostava dos sapatos dele, eu não gostava das músicas dele, eu não gostava das piadas dele) e ele se mostrava cada vez mais apaixonado. Continuei insistindo apenas como “exercício”. Eu precisava quebrar o ciclo. Foi quando, magicamente, depois de três meses, eu me apaixonei por ele. Passei a querer falar com o cara toda hora, ver todo dia, saber onde ele estava e se pensava em mim. E sabe o que aconteceu? Levei um pé na bunda do barango desgraçado. Eu peso a minha pequena e delicada mão quando fico a fim do cara. Mas é só assim que, infelizmente, sei gostar. Talvez seja isso que você esteja fazendo. Muito mais do que escolher sempre os mesmos trastes, você é que se torna sempre a mesma “traste” quando começa a gostar deles. Pense nisso. Talvez você consiga mudar. Eu tô lá no Freud há dez anos e não consegui. Mas eu sou uma idiota." Tati Bernardi

domingo, 16 de outubro de 2011

Vermelho Frida

Um pensamento solto sobre as cores no acidente da Frida e as cores da vida dela.

Depois que eu li a cena do acidente da Frida, no bonde, eu fiquei com um pensamento zunindo na minha cabeça. Na descrição da cena fala que a Frida ficou coberta por duas cores: vermelho, do seu sangue, e dourado, que era tipo um pó, que deveria estar sendo carregado por algum pintor de casa e caiu sobre ela.
Para mim o curioso é que partir do acidente ela começa a pintar. Ela fica, por muito tempo, imobilizada por ter fraturado quase todas as partes do corpo. Fica presa na sua cama, tendo que criar um novo mundo dentro do seu próprio quarto. Sua mãe, então, entrega a ela pincéis e telas de pintura para que ela possa passar o tempo com alguma atividade que não a prejudique fisicamente. E seu pai tem a ideia de colocar um espelho no teto do quarto para que ela possa se ver. Então ela começa a pintar exatamente isso. Ela mesma. Pinta vários auto-retratos, que são uma das características mais marcates de suas obras. Ela falava que as palavras não conseguiriam nunca descrever sua dor e que ninguém nunca poderia entender, e é por isso que ela pinta. Pois foi a única forma que ela encontrou para expressar realmente o que sente. Isso é arte. É algo que nos completa.
Mas enfim, quero dizer que é engraçado porque justamente nesse acidente, as cores predominantes são o vermelho e o dourado. É como se a Frida fosse a tela dessa vez. Como se a vida escolhesse as cores e a pintasse naquele momento. Impostando de alguma forma a arte. Exatamente como eram seus quadros. Ela na tela e a vida dela sendo passada pela pintura. A vida como ela vê. E ela via tudo de uma forma muito diferente de todas as pessoas. Não só por tudo que passou, mas simplesmente por ser uma artista que via através de tudo. Olhava para um objeto, olhava a natureza e realmente os enxergava. Via o que ninguém mais vê.
E não que ela tenha realmente usado a cor dourada em suas pinturas, mas essa cor, pra mim, representa a luz e principalmente a força que a Frida tinha. O vermelho, como ela mesma descreve, é a cor da vida e da morte. E ela esteve entre esses dois mundos muitas vezes. O que me instiga é o fato de serem cores muito fortes e principalmente de serem cores. Elementos principais das suas obras. Não eram tintas propriamente ditas, mas eram como se fossem tintas ali. E logo depois desse episódio ela começa a pintar. Não que essas cores tenham tido um efeito mágico nem nada. Frida era uma artista muito antes de começar a pintar. Mas eu só acho esse fato curioso. O fato das cores estarem sempre presentes na vida dela. Como se fosse algo que estivesse impregnado. Ou como se fosse o começo de uma fase da vida, marcada sempre por cores fortes. Cores que a representam. Frida Kahlo Cores.



" Again and again Frida will paint her own face over the white skull, proof that se is still alive."

Do livro Frida's Bed
autora: slavenka drakulic