terça-feira, 27 de maio de 2014

A importância da fotografia analógica, apesar do meu amor pela tecnologia


Fotografia sempre foi uma das artes que admirei. Talvez porque eu seja meio nostálgica. A foto captura um momento e parece que o sentimento todo que pairava ali, fica preso em um rolo de filme.

A fotografia analógica captura a essência do momento em que a foto foi feita e por isso que me encantei tanto com a lomografia. Eu já tinha brincado com a ActionSampler, mas não tinha ousado experimentar muito. Gostava mais da ideia de ter uma foto tipo histórias em quadrinhos porque o efeito é simplesmente sensacional, mas depois me falaram que pra começar seria melhor usar a La Sardina.



Eu já conhecia o efeito e achava que as fotos ficariam nada demais, mas me surpreendi completamente. Esperava o momento exato, para tirar aquela foto especial, afinal eu só teria 36 fotos para gastar. Depois percebi que além de esperar um momento interessante para fotografar, o importante era não pensar na hora de apertar o clique e se jogar! O mais legal é conseguir captar a espontaneidade do momento e se divertir com os resultados depois.
Quando aprendi a fazer dupla exposição, não parei mais. Queria fazer o filme inteiro juntando uma foto na outra, mas aos poucos fui aprendendo a valorizar a foto normal e descobri que eu simplesmente amo o efeito nostálgico da La Sardina! Por ser uma câmera grande angular e não deixar as cores tão nítidas tive grandes surpresas ao digitalizar minhas fotos.

Depois de toda essa tecnologia que foi invadindo as nossas vidas (amém!), mexer com uma câmera que nos faça pensar duas vezes antes de tirar uma foto é um processo importante. É necessário aceitar que nossas escolhas têm consequências e principalmente um tempo para serem absorvidas. O processo de tomar cuidado ao fotografar e ficar ansiosamente esperando as fotos serem reveladas é algo que não é nada comum hoje em dia e infelizmente todos nós temos perdido essa essência  da espera das coisas. Queremos tudo com facilidade, rapidez, mas nos esquecemos de que a vida pede mais do que agilidade. A vida, na maioria das vezes, pede calma e paciência pra entender seus próprios ciclos. Quando nos deparamos com situações em que precisamos ser cautelosos, nos perdermos. Não estamos acostumados com aquilo que nos exige pensar e sentir ao mesmo tempo.
A fotografia analógica me ensinou que na vida a gente só tem um momento pra aproveitar aquele instante e pra conseguir a foto perfeita. Não adianta nada desperdiçar o filme. Tenho aplicado isso nos meus dias e tenho tomado muito cuidado ao fazer minhas escolhas, mas depois de fazê-las, apenas aperto o click e recebo as consequências da melhor forma possível.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eu gosto do incerto

A verdade é que eu não presto. Nunca prestei pra me enquadrar naquilo que falavam que era certo. Sempre amei muito e todo mundo ao mesmo tempo. Tudo no mesmo instante, tudo misturado. Sou constantemente decifrada, mas continuam querendo descobrir meu enigma. Meu segredo é simples. 

Eu gosto de gente, do segundo entre uma palavra e outra, do momento entre uma respiração e outra. Gosto do olhar nervoso que olha pro lado fingindo buscar alguma coisa na memória. Eu gosto dos dentes trincando e a mandíbula travada durante os silêncios da noite.

Eu gosto dol sol iluminando os fios de cabelo rebeldes. Sempre olhei as pessoas pelos cantos onde elas não controlam, não conseguem notar. E é aí que eu sempre me apaixono. Me encanto pelos espaços interferíveis das pessoas. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Meu herói no meu reino encantado

No meu reino, você seria um príncipe. Não, príncipe não. Você seria o rei. E eu faria questão de colocar você num altar bem alto e numa poltrona confortável pra você governar. Na verdade, no meu reino, você pode ser o que quiser. Você poderia ser um leão branco, que me salva das minhas encrencas. Talvez você fosse o herói. É, eu seria rainha, você rei. Nós dois seríamos heróis. Nós iríamos desbravar o mundo e salvar as pessoas delas mesmas. Você nem sabe, mas sempre me salva. Mesmo distante, consigo ouvir você cantando, quando eu vou dormir. Você vai ser pra sempre meu ídolo. Não importa se dentro de um estúdio ou num show com 1 milhão de pessoas. Vamos voar daqui e fazer arte. Você vai ser sempre minha inspiração.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Como não cair em um discurso raso e coxinha?

Foto por Theo Gosselin


Todo mundo opinando, todo mundo querendo ter uma opinião. Pra opinar de verdade, é preciso ter, pelo menos, mais de uma (várias) referência. É preciso questionar o que foi passado e SE questionar, que é a parte mais difícil.

Em primeiro lugar, não acredite em nada que você lê, ouve ou até vê. Pra ter certeza de alguma coisa, é melhor pesquisar antes de sair julgando e espalhando bobagens. Quantas vezes achamos que era uma coisa e era outra?

Segundo, pare de acreditar em discursos bestas. Estão falando mal da tecnologia, das redes sociais, do mundo. Pense com você mesmo: eu realmente penso assim? Se sim, por que não estou fazendo diferente?

Terceiro, não acredite em nenhum texto (ou comunicação) com verbos no imperativo. Você sabe o que é bom pra você. O autor do texto, o publicitário e seu "amigo" não sabem. Verbos imperativos querem sempre vender alguma coisa, seja um produto, um conselho ou uma informação. Escolha de quem você quer receber os conselhos, filtre tudo e escolha o que é realmente válido, porque a conta chega. No final, você vai perceber que deveria ter perguntando a SUA opinião, em primeiro lugar. 

Quarto, não aceite dicas de relacionamento e nem opiniões que generalizem alguma coisa. 

Quinto, os seres humanos não podem ser moldados em um texto com tópicos. As relações humanas não são simples de resolver, como uma receita de bolo. Os seres humanos são complexos e nossa época mais complexa ainda, então para, só para de querer enquadrar as coisas. É tudo tão mutável. Tenha paciência para entender o outro, para olhar, ouvir e perceber que, às vezes, não existe explicação ou funcionalidade naquilo. "A mensagem da flor, é a flor em si". 

Sexto, não acredite em nada que eu falei nesse texto escrito em tópicos e no imperativo. Só quero vender minha rasa opinião e você é melhor que isso. Você consegue passar por esse texto e se questionar sobre tudo que está escrito aqui. Repense, me ache uma idiota, concorde, repense de novo e você vai saber o que será útil ou não pra você.

Sétimo, desconsidere tudo que eu falei. 

terça-feira, 18 de março de 2014

A não-volta

Você não volta? Mas e seus gatos? E as ideias? Sua cidade é a única coisa que você tem de verdade. E o Mar? E as pessoas? E os amores? E as estrelas? E as supernovas? E o céu, o sol a lua? E as portas?Volta. Arte a gente inventa, transforma, desconstrói. E os índios? E o brilho nos olhos? E as ruas? E os orixás? E as criações? E os desenhos, os roteiros, as palavras que precisam de Brasil? E o universo? E o fim dos tempos? E os sons, os cheiros, os cabelos? E a pele, os risos, os carros e caminhões? E os buracos de rua, as pessoas lutando nas ruas e o buraco das pessoas? E o vazio? E a saudade? E eu?

segunda-feira, 17 de março de 2014

O brilho nos olhos

Eu sempre desconfiei que as pessoas mais bonitas que eu já conheci eram aquelas que tinham um brilho nos olhos por alguma coisa. Um cachorro,uma ideia, uma história, um projeto, um pedaço de papel ou o simples fato de que viver é uma aventura onde devemos estar sempre com os olhos brilhando, atentos, sonhando, querendo, ardendo. As pessoas com brilhos nos olhos são as que eu chamo para criar o mundo comigo. O mundo não está pronto. Ele está sendo criado por nós, dia após dia. São por essas pessoas que eu espero acordada até mais tarde, desmarco compromissos chatos, escrevo dedicatórias, paro para ouvir e me emocionar e quando chegam, sempre me pego com um sorriso estampado no rosto. São por essas pessoas que o sol espera para se pôr. São essas pessoas que veem o sol nascer primeiro. São por essas pessoas que eu percebo que viver vale a pena enquanto existir o brilho nos olhos. Tudo que eu faço, é só pelo brilho nos olhos.

quarta-feira, 12 de março de 2014

O tal João de Santo Cristo e uma estrela cadente

A gente se conheceu nos anos 80, numa tarde cinzenta e quente. Eu vestia uma blusa do Iron Maiden, que eu roubei do meu irmão, e uma calça jeans rasgada. Eu já tinha te visto umas duas vezes na vida e eu sabia quem você era porque todas as meninas da cidade eram loucas por você. Mas você me chamou atenção porque das duas vezes que eu te encontrei, você não conseguia não olhar pra mim.

Nessa quarta-feira cinzenta, você me olhou de novo com aquele olhar de quem não quer disfarçar. Você usava um Ray-Ban preto, mas eu sabia exatamente a linha que os seus olhos faziam e chegavam até mim. Eu estava sozinha, sentada na calçada de concreto, esperando quando nos chamariam para os preparativos de maquiagem e figurino. Passamos a tarde nos arrumando e nos esbarrando entre olhadas rápidas entre um café e outro. Te vestiram de punk, pintaram seus olhos e rasgaram sua blusa. Eu usava um batom roxo e aumentaram o volume do meu cabelo de um jeito que eu nem imaginava que era possível. Achei que eu parecia um vampiro, mas gostei do que vi no espelho.

Depois de tanta espera, vi você sozinho tomando um café naqueles copos de plástico, enquanto eu comia uma maçã e me aproximava de você, fingindo estar louca por café também. Puxei o assunto mais óbvio e falei que o seu cabelo de punk tinha ficado incrível e que eu queria ter sido fantasiada de punk também. Você falou que eu não poderia ficar com cabelo de punk, porque meu cabelo era igual o da Janis Joplin e eu jamais poderia cortá-lo. Agradeci e falei que achei que fosse um elogio. Ele sorriu, tomou um gole de café e confirmou. Com certeza é um elogio.

Estávamos esperando o suposto show do “Aborto Elétrico” começar, em silencio, entre luzes, rebatedores, fios e câmeras. Várias pessoas com figurinos dos anos 80, dançando sem música em uma boate de rock cheia de posters de banda na parede e vozes gritando “Silêncio”, “Gravando”, enquanto todos esperavam a fala da adorada Isis Valverde e ficavam curiosos para saber quem era o tal do João de Santo Cristo. A gente dançou em silêncio, tentando não fazer barulho com os pés e riu muito.

Quanto tudo acabou e a gente não aguentava mais ouvi “Moramos na cidade”, devolvemos o figurino, agradecemos e fomos andando sozinhos de volta até o ponto de ônibus mais próximo. O sol já começava a nascer e o céu estava com aquela mistura de azul com rosa, que só Brasília pode nos proporcionar. Ele me olhou, falou que sabia que a gente se conheceria em algum momento e a gente se beijou. Eu fiquei na dúvida se aquele filme era nosso, se falariam “Corta” no minuto seguinte, mas não aconteceu nada.

Ele me olhou de novo e disse que sabia que eu ainda ia brilhar muito na vida. Ficou vidrado em mim, por alguns segundos, e disse que eu era a pessoa mais bonita que ele já tinha conhecido, mas isso não queria dizer nada. Então foi cada um pro seu lado e eu voltei pra casa com o sol nascendo em mim. Pensei que ele deveria ser algum tipo de estrela cadente.