Encontrei com deus quando um holofote de teatro me cegou no
palco. Ele me falou o que eu já sabia: não era pra acreditar nele, pois ele não
existia. Mas me falou também que eu mesma não existia. Descobri enfim que esse
encontro não tinha sido com deus, mas comigo mesma, com meu abismo. E só restou
ali, naquele momento, a arte da minha representação. Eu estudo teatro para
encontrar sentido na minha representação na vida. Queria encontrar um deus pra poder
acreditar, mas acabei me encontrando. Eu era o deus que eu procurava. Acreditei
na arte.
"Sometimes there's so much beauty in the world, I feel like I can't take it, and my heart is just going to cave in"
quarta-feira, 22 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Briga de casal
- Oi, amor. Tudo bem?
- Tudo e você?
- Também... Tô saindo do trabalho, presa no engarrafamento
pra variar.
- Tá indo pra casa?
-Tô, tô no ônibus, lotaaaado.
- hahaha. Hora do rush é assim mesmo.
- Elogiaram meu trabalho hoje lá na loja. Um gringo falou
pra dona da loja que foi muito bem atendido.
- Nossa, que bom!
- É, que bom mais ou menos... Porque ele não falou os nomes,
então a gerente não vai saber.
- Ah, que merda... a gente vai se ver hoje?
- Ai amor, eu queria muito, mas tá complicado hoje. Descobri
que eu tenho um trabalho pra amanhã.
- Descobriu?
- É, a menina lá da sala me passou, porque eu faltei aula
passada, lembra? Daí eu Tenho que montar um cardápio.
- hahaha, cardápio de que?
- Ah, um cardápio dividindo entrada, sobremesa, prato
principal...
- Nada a ver
- É, faço hotelaria pra ficar montando cardápio. Fala sério...
- Vai trabalhar amanha?
- Não, amanha é minha folga. Me dei folga já que trabalhei
no feriado passado!
- Muito espertinha. Que bom, quero aproveitar amanha com você,
então.
- Também quero, amor.. queria levar o Bernardo pra brincar
naquele parquinho perto da casa do Juca, sabe?
- Sei! Boa, podemos ir depois do almoço! Ah, deixa eu te
falar... passei as fotos do Bê pro computador, mas não couberam todas.
- Porra, Michel, sério? Põe num HD externo, sei lá... apaga
umas coisas.
- Não, relaxa... vou dar um jeito. Vou passar pro
pendrive...
- Pede pra sua mãe, pô.
- Ai, lê, queria mexer com isso não.
- Você nunca quer mexer em nada com a sua mãe né? Principalmente
quando tem a ver com o Bernardo.
- Não é assim, Letícia... você sabe como ela já tá estressada
com essas coisas do aniversario dele.
- É, sei... sei que ela tá cagando e andando pro neto dela.
- Letícia, não é assim, pô. Minha mãe tem as coisas dela,
mas ela adora o Bê. Deixa de nóia. Falando nisso, que que a gente vai fazer no
seu primeiro dia das mães?
- Eu tava pensando em almoçar com minha mãe e depois acho que
vou lá pra Nicole. Daí você pode ir pra sua mãe à noite, se você quiser. Aí você
almoça com a gente e depois a gente faz alguma coisa de tarde.
- Fazer o quê na Nicole?
- Ela vai fazer um jantarzinho pra gente. Mas vai ser só
mulher, daí eu pensei que nessa hora você podia passar com a sua mãe, já que
todo ano você fala que queria passar com a sua mãe.
- Não falo isso todo ano não, falei que às vezes eu queria
dar um pulinho lá, pô.
- Então, por isso mesmo... já me programei esse ano pra você
ir pra sua mãe.
- Ah, tá bom Letícia. Você é foda, cara...
- Por que, Michel? Eu tô fazendo as coisas mais simples possíveis.
Você fica comigo e com o Bê e de noite vai pra sua mãe.
- Você que inventou de ir pra Nicole, porra. Achava que ia
fazer alguma coisa nós três, família.
- Eu também queria fazer uma coisa legal, nós três. Eu nem
sei se vai rolar mesmo a parada na casa da Nicole, ela ainda não confirmou
realmente. Mas não é você que sempre quer ficar com a sua mãe? Então...
- Claro, ela é minha mãe. Acho justo que eu queira. Mas esse ano é diferente né!
- Por isso mesmo que eu facilitei as coisas. É meu
primeiro dia das mães, sabe. Queria ficar com você e com o Bê, mas não queria
causar confusão.
- Mas a gente vai ficar junto! Por que a gente não passa com
a minha família esse ano?
- Ai Michel, porque prefiro passar com a minha mãe, minha
avó... do que com a sua família que não consegue nem olhar pra minha cara.
- Caralho Letícia, você exagera muito as coisas. Você sempre
leva as coisas pra seu lado.
-Por que você tá gritando? Eu tô falando numa boa aqui com você,
tentando facilitar as coisas e olha o jeito que você tá falando comigo.
- Facilitar o que? Ficar falando mal da minha mãe não tá
facilitando em nada!
- Presta atenção no jeito que você tá falando comigo. Não te dei motivo pra falar assim.
- Tá bom, Letícia. Não enche meu saco mais não. Eu almoço na sua mãe, faço o que tu quiser de
noite. Vou pra Nicole, fico em casa. Foda-se. Vou fazer o que tu quiser.
-Mas eu não tô falando isso, michel!! Você pode passar com a
sua mãe. Não é você que todo ano fala isso? Que quer ficar com a sua mãe? Então
fica! Eu não tô querendo competir atenção de ninguém, muito menos da sua mãe.
- Quando eu falei isso, Letícia? Hein? Quando que eu falei
que eu não me lembro...
- Ah, agora exatamente eu não sei. Mas eu lembro que falou. Ano
passado.
- Você é impressionante cara. Você não consegue lidar com as
coisas sem colocar o Bernardo ou minha mãe no meio.
- Por que você tá gritando, Michel? Você fala como se fosse fácil.
Eu tenho que aguentar pressão em casa, pressão no trabalho, pressão por causa
do Bernardo. É tudo nas minhas costas, Michel! Você acha que é fácil? Você acha
que foi realmente isso que eu planejei pra mim?
- Letícia, eu também tenho pressão em casa, no trabalho, com
o Bernardo! O moleque também é responsabilidade minha, porra.
- Quando que você tem pressão com o Bernardo, Michel? Quando
você deixou de fazer alguma coisa por causa dele?
- Sempre deixo, porra.
- Fala quando.
-Aah, sei lá! Semana passada! Sábado não fui pro evento de
bike que o Felipe tava organizando pra ficar com o Bernardo.
- Uma vez na vida e outra na morte né, Michel! A creche fica
no pé de quem? Meu! Porque não paguei mês passado e não sei o quê. E cadê você pra
me ajudar?
- Porra Letícia, eu já falei que tô juntando a grana daquele
evento que eu tô organizando, porra.
- Você é o único otário que faz um evento que não tem
retorno financeiro que valha a pena. Ninguém faz isso!
- Eu gosto do que eu faço, Leticia. Eu faço com prazer esses
eventos!
- Mas você tem um filho, Michel! Você tem que se
responsabilizar por isso também, sabia?
- Você fala como se eu tivesse nem aí pro Bernardo. Eu amo
esse moleque, Letícia. Tu sabe disso! Tu sabe do esforço que eu faço pra
conseguir ficar com ele durante a semana. Eu também trabalho pra cacete, não é
só tu não.
- Lembra quando a gente deu um tempo que eu falei que eu não
queria mais saber de você falando que ia mudar. Eu queria ver em ações. Queria que
você mudasse pra valer. Mas você não mudou em nada, Michel! Você não muda em
nada.
Elena
Elena, da Petra Costa, é o documentário mais devastador de todos os tempos. Só o trailer me
deixou sem dormir há dias e depois de assistir ao filme, fiquei parada olhando meu reflexo na tela, sem entender muito o que tinha acabado de acontecer. Eu penso na Elena e não consigo parar de
chorar. Arte é criar o belo pelo avesso. Transformar a dor em água. É
sentir falta de ar por um instante para fazer com que o resto do mundo respire.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Nós e o mundo
Desde o dia que eu te conheci, todas as vezes que eu pensei em você meu
coração disparou. Mas é só porque é
você. É você e mais ninguém que me faz sentir esse amor que faz meu corpo
inteiro se acender. Já me falaram tanto, tantas vezes, mas eu sempre fico cega
e surda e acho todo mundo bobo. Todo mundo que me fala que você é uma ilusão,
todo mundo que fala que eu te criei. Bobos. Eles não entendem nada sobre o
amor. Eles acham que o amor precisa ser aquela coisa bonita, construída ao
poucos, que a gente precisa ter uma historia antes do amor. Como dizia o
Cazuza, a gente procura no amor uma pureza impossível. Meu amor é sujo, desgastado,
com vários retalhos e é completamente insano. O amor bom é o amor que te
arrebenta, mas que te deixa intacto. “O amor é o ridículo da vida” e aqueles
que descobrem isso, possuem nas mãos o segredo o universo. Possuem a felicidade
inquieta daqueles que acharam um tesouro. Um tesouro que precisa ser divido com
muitos. Poucos entendem. Poucos sabem receber esse presente.
Eu te amei desde o momento que você me segurou e me fez rir jogando a
cabeça pra trás. Eu te amei desde o momento que você me ouviu atentamente, como
nenhum outro ser humano já fez. Era como se você quisesse entrar nos meus
pensamentos, pra descobrir tudo que eu penso. Por isso você ouvia devagar, para
não perder nenhum segundo. Eu olho pra você e eu consigo entender o mundo
inteiro. Eu nem sei explicar isso, mas é a coisa mais bonita que eu já senti. É
a coisa mais profunda e intensa e eterna.
Não acredito em amor da vida. Acho essa ideia patética. Por isso ninguém
entende nada do que eu falo. Ninguém entende que o que eu gosto em você é o
jeito que eu me sinto quando eu estou com você. Ninguém entende que eu não
preciso te conhecer a fundo, conviver. Ninguém entende que quando eu olho pra você
o mundo para de girar. Eu sinto como se eu pertencesse àquele instante. Já
sentiu isso? Que você está exatamente onde queria estar, no momento onde está.
Os bobos não sabem o que é isso. Eles sempre preferiam estar em Londres, Paris
ou numa praia paradisíaca. E quando eu to com você, em qualquer lugar do mundo,
a nossa conversa dura até o dia amanhecer. A gente sempre vai ter o que dizer
um pro outro, porque estamos criando a cada instante. Mas em segredo.
Ninguém entende que quando a gente se olha a gente conversa. A gente
sabe o que o outro está pensando. Quando a gente se vê é só a gente, por mais
que estejamos num show lotado, com mil pessoas cantando alto. Sou só eu e você.
Não importa quantos dias a gente fique sem se ver, quando a gente se encontra
parece que tudo está no seu devido lugar. Aí me falam que é bobagem. Esquece.
Quem quer, procura. E eu que quero tanto, há tanto tempo, passo os dias calada,
porque tenho medo de te perder. Já te perdi de vista tantas vezes. Já acabei
com tudo um milhão de vezes. Mas você foi o único até hoje que ficou preso na
minha memoria. Dizem que eu te prendo aqui pelo que poderia ter sido. Mas
tantos outros poderiam ter sido e eu me apaixonei e desapaixonei. Passaram,
como um vento que passou. No fundo eu sei que você não foi embora porque nossa
historia não acabou. Não, ela ainda nem começou de verdade.
“And I remember when I met him, it was so clear that he was the only one for me. We both knew it, right away"
“And I remember when I met him, it was so clear that he was the only one for me. We both knew it, right away"
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Amor
O amor existe. Ele não é puro e lindo como a gente
imaginava, como a gente queria que fosse. Ele é louco, incerto, aparece
de
maneiras improváveis e simples. Ele é o risco. O acaso. O grotesco da
vida. Mas é o que nos mantém em pé todos os dias. Estamos sempre à
procura desse amor, por mais que já tenhamos
encontrado.
"Barba Ensopada de Sangue"
"Trabalhei com persuasão minha vida toda, a persuasão é o maior
câncer do comportamento humano. Ninguém nunca devia ser convencido de
nada. As pessoas já sabem o que querem e sabem do que precisam. Sei
disso porque sempre fui especialista em persuadir e inventar
necessidades.
Persuadir uma pessoa a não seguir o coração é obsceno, a persuasão é uma coisa obscena, a gente sabe do que precisa e ninguém pode nos aconselhar."
Do livro " Barba ensopada de sangue", escrito por Daniel Galera.
Um escritor Brasileiro, novinho, lindo e cheio de história pra contar. Me apaixonei pelo personagem sem nome durante a leitura do livro, mas depois fiquei na dúvida se eu não estava, na verdade, encantada com a escrita detalhada e tão próxima de mim, fazendo com que eu me sentisse no sofá do personagem, vendo com ele a paisagem da praia quase entrando pela janela. Me apaixonei pelo estilo tão humano de escrever do Galera, mostrando detalhes do cotidiano e principalmente das pessoas, que muitas vezes passam batidos. Gostaria de olhar para o mundo com esses olhos que dissecam as ações, as cores e as formas.
Persuadir uma pessoa a não seguir o coração é obsceno, a persuasão é uma coisa obscena, a gente sabe do que precisa e ninguém pode nos aconselhar."
Do livro " Barba ensopada de sangue", escrito por Daniel Galera.
Um escritor Brasileiro, novinho, lindo e cheio de história pra contar. Me apaixonei pelo personagem sem nome durante a leitura do livro, mas depois fiquei na dúvida se eu não estava, na verdade, encantada com a escrita detalhada e tão próxima de mim, fazendo com que eu me sentisse no sofá do personagem, vendo com ele a paisagem da praia quase entrando pela janela. Me apaixonei pelo estilo tão humano de escrever do Galera, mostrando detalhes do cotidiano e principalmente das pessoas, que muitas vezes passam batidos. Gostaria de olhar para o mundo com esses olhos que dissecam as ações, as cores e as formas.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Assinar:
Postagens
(
Atom
)