domingo, 27 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

De um cara qualquer para Tati Bernardi

Da última vez que nos vimos você ficou me olhando daquele jeito que me deixa meio sem graça. Ficou me encarando como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. E eu não queria ir embora, mas fui. Fui embora por um milhão de motivos que eu não entendia, ou queria não entender. Fui embora com medo de ter que te falar tudo isso e perceber que sou um covarde. Mas agora já é tarde demais. Nem sei como vou te entregar essa carta. Não sei se vou te mandar pelo correio, não sei se vou até a sua casa e coloco embaixo da porta. Tenho medo de te encontrar. Ou melhor, tenho medo de te encontrar com outra pessoa. E eu nem sei por que, afinal a gente nunca teve nada além de algumas tardes agradáveis e algumas horas de amor intenso. Eu sabia que você era assim. Eu achava que você me queria mais do que qualquer outra coisa enquanto estávamos juntos, mas eu fui embora.
E só agora, depois de sete meses sem te ver, criei coragem para falar o motivo da minha partida silenciosa. Eu sabia. Sempre soube. Mas eu não podia correr o risco de arrancarem meu coração do peito de novo. Pensava que eu não ia aguentar mais uma perda. Não sei lidar com esse tipo de coisa que desaparece. E estando do outro lado, agora eu entendo realmente o que Fernanda Young quis dizer, em uma de suas cartas, com a frase "pessoas que somem não são confiáveis". Não são mesmo. São tão covardes que não conseguem admitir para eles mesmos o que sentem. Sei que você não é igual a quem me deixou assim. Sei que você é a última pessoa do mundo que eu deveria temer, mas ao me deparar com a sua personalidade, fui fraco. Então antes de você pensar em ir embora, eu já tinha ido. Eu esqueci que as pessoas não são iguais e que os relacionamentos não são iguais, porque todo mundo muda. E em pouco tempo que te conheci, você mudou a minha cabeça.
Durante uma conversa  que a gente teve, eu consegui ver a vida de outro ângulo. E eu fiquei encantado por tudo que você fazia desde aquele instante. Então eu fui embora.  E agora, no final das contas eu nem sei se te conquistei. Nem sei se eu te decepcionei e nem sei se você se importou muito com o fato de eu ter ido embora. Você nunca mais me procurou. E durante esse tempo todo eu me envolvi superficialmente com outras pessoas. Fiquei um tempo com uma menina, mas ela não me fazia rir como você fazia, não me contava história malucas e não me deixava tonto por acordar ao lado dela no outro dia, só porque a noite tinha sido de tirar o fôlego. Você era apaixonada por mim e por todos os meus detalhes. Mas eu nunca tinha percebido que você é desse jeito. Você é apaixonada pela vida e por todas as coisas que existem ao seu redor. Você consegue ver tudo de outro jeito, diferente de todas as pessoas, que estão sempre se preocupando com coisas pequenas, se aborrecendo com coisas pequenas, e falando sobre coisas banais. E qualquer pessoa que passar mais de um minuto com você, já vai achar que você está completamente apaixonada. E eu nunca soube ser assim. Nunca encontrei essa excentricidade em ninguém. Você é alguém que eu achava que estava faltando no mundo, pra convencer as pessoas de que a vida é mais do que isso. Você me mudou e agora eu tento ver através das coisas.
Tento não olhar pra alguém superficialmente. Tento não olhar para nada tendo a certeza de que aquilo é plano, porque as coisas raramente são. E eu que te critiquei por ser tão profunda, por querer me engolir enquanto me olhava, sempre tentado me decifrar. Te critiquei quando você me fez um milhão de perguntas bestas, sentada só de calcinha na janela. E eu ficava me perguntando o que você queria saber. Onde você queria chegar. Mas você só queria saber de mim, saber o que eu penso sobre as coisas. E eu nem vi nada disso... Eu só sabia que no fundo, eu queria eternizar aquele momento, como num quadro.
E agora não sei qual vai ser sua reação diante dessas informações, mas só quero que você saiba que eu sinto muito. Sinto muito por mim, por não ter enxergado o que poderíamos ter sido, ou por não ter me permitido. Por não ter vivido, por não ter amado, por não ter eternizado nada, pelo menos por um segundo. Agora eu não peço nada. Só que guarde essas palavras. E por favor, pense bem antes de renegar algo que, no fundo, é o que você mais quer.
-Ela parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

"Eu sou de ninguém. Eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem. Eu sou de ninguém. Eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também."

Chuva e pensamentos desconexos


Chovia, chovia e chovia. Eram mais um daqueles dias que amanhecem com o maior sol e de repente o tempo muda. Alguma coisa lá em cima gira e as nuvens começam a pairar sobre o céu, se espalhando lentamente. Nuvens carregadas, cinzas. E veio o vento e de imediato a chuva. Dessa vez eu não quis me esconder debaixo de algum telhado, nem abrir o guarda-chuva, nem muito menos correr pra chegar em algum lugar. Eu queria ir andando lentamente, sentindo frio. Queria sentir meu corpo ficando todo molhado, sentir as minhas roupas grudando na minha pele e sentir meu sapato ficando ensopado. São nessas horas em que a gente não está pensando em nada, está meio melancólico por não ter nada pra dramatizar, que começamos a pensar no que mais queremos no momento. Ou pelo menos o que achamos que é o que mais queremos. Então eu quis ir andando até a sua casa, tocar a campainha, abraçar você sequinho e me agarrar no seu cabelo bagunçado. E eu ia sentir o cheiro de café que você sempre faz à tarde e ele ia se misturar com o cheiro de chuva e com o seu cheiro de coisa boa. E eu só queria que você tirasse minha roupa molhada e me puxasse pra mais perto. Você nem ia se importar com a água da chuva, que estava em mim, se espalhar pelo sofá, pelas almofadas, ou por você inteiro, porque tudo o que você queria naquele momento era se misturar com aquilo tudo. E você ia falar que eu devia estar morrendo de frio, mas você nunca ia saber que assim que eu cheguei o frio passou imediatamente. E depois a gente ia ficar ouvindo a chuva batendo na janela, e a gente ia tomar café quente e ficar sentindo um pouco do amor que nos aguarda. Ou que nos restou. Não sei bem, mas eu ainda fico perdida no que ainda pode ser e no que já foi. Mas ali a gente não ia pensar em nada. A gente só ia pensar na chuva e no fato dos nossos pés estarem entrelaçados em cima do carpete molhado. E eu odeio essa ideia clichê de pés entrelaçados, mas a questão é que eles realmente estariam. E depois é bem provável que a gente seguisse nossa vida e que aquele momento ficasse guardado na memória. Como se a chuva repentina trouxesse com ela um pouco da coragem que faltava para que nos encontrássemos de novo. Mas isso não importa muito. Esqueci esse pensamento bobo, e fui pra casa com aquelas imagens ainda na minha cabeça. A chuva já estava parando. Subi as escadas, deixando no caminho algumas gotas d'água que caiam do meu cabelo e fiquei, até o último momento, imaginando que aquelas eram as escadas da sua casa e que quando a porta se abrisse você estaria do outro lado. Mas não ia acontecer nada daquilo. Abri a porta, tirei a roupa que nem estava mais tão molhada e deixei no chão do banheiro. Entrei no chuveiro, sentei e rezei pra esquecer aquela cena que eu inventei. Pedi para que ela fosse embora de uma vez por todas, junto com todos os outros pensamentos sobre você. Porque aquela cena não aconteceu. E nem aconteceria.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

no palco eu me sinto inteira.
Então eu encontrei no teatro o que algumas pessoas passam a vida inteira procurando: a felicidade plena.