quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Fotografia


Eu estava dando uma limpa nas minhas coisas velhas. Precisava organizar umas gavetas, jogar o passado no lixo e tinha decidido que a partir desse dia eu ia me desapegar de tudo aquilo. Tinha muita coisa guardada e sinceramente, não fazia diferença elas estarem lá ou não porque eu nunca olhava para elas. Apenas sabia que estavam por ali e de uma forma ou de outra, eu tentava segurar as lembranças, para que elas nunca fossem embora. Então no meio de papeis de carta, guardanapos escritos, tickets de cinema, metrôs e passagens eu encontrei aquela foto. Exatamente como eu havia te encontrado, no meio de muita gente, no tumulto, num dia nublado qualquer, sem muitas expectativas. No instante em que eu bati o olho na fotografia já meio velha e desgastada, foi como se uma onda quebrasse mim. O sentimento e o momento da foto voltaram em questões de segundos e eu pude sentir o cheiro, o calor, ouvir a musica e sentir a felicidade que havia ali naquele instante. Não era preciso escrever nada, falar nada. O meu olhar falava exatamente tudo o que eu queria dizer. Meu sorriso era meio sem graça, mas é nítida a felicidade que eu sentia. Eu me lembro bem desse momento. Você veio até a minha casa, no final da tarde, falando que precisava me mostrar uns filmes, e acabou ficando até a tarde do outro dia. Você estava de passagem na cidade. Uma passagem longa, mas eu sabia que você alguma hora teria que partir. Eu estava sentada no sofá do meu outro apartamento, ouvindo música e bebendo a nossa cerveja preferida. Eu até lembro que ficamos muito animados quando descobrimos isso na época porque não era uma cerveja muito comum. O apartamento era bem pequeninho porque eu tinha acabado de me mudar e não tinha dinheiro pra comprar nada melhor, mas era aconchegante. Era o suficiente para mim. Passei momentos inesquecíveis lá, com muita gente que eu amo. No momento da foto eu tinha acabado de dizer como eu amava aquela música e como ela se encaixava perfeitamente no momento. Era “Live Forever” do Oasis. Você ainda lembra dessa musica? Eu realmente queria viver pra sempre. Então do nada você pegou sua máquina, que já era uma profissional, e sem me avisar tirou a foto. Sem retoques, sem avisos, sem preparação. Apenas um clique e aquele momento todo ficou ali, estagnado, preso em algum lugar sem ser somente em mim. Depois você veio, me deu um beijo e a gente começou a cantar juntos aquela musica,bem alto, como se pedíssemos para que aquele momento não acabasse nunca. Você me disse que as coisas acontecem no tempo em que elas tem que acontecer e que o nosso tempo era esse. Não importava se daqui a pouco não estivéssemos mais juntos pois, a vida segue em um ritmo que ninguém nunca, jamais conseguiu entender e se tentássemos mudá-lo, sofreríamos mais do que o necessário. Deixaríamos passar as oportunidades que nos aparecem e nos surpreendem. Deixaríamos passar até a hora em que o ciclo voltasse (e ele volta) para que nos encontrássemos de novo . No fundo a gente sabia que esse ciclo ia voltar para nós, algum dia. Iria nos pegar de surpresa, como a vida faz sempre. Exatamente como eu fui pega no momento dessa foto.

" Aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo. Do que não ficava pra sempre"

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Quando eu me apaixonei pela paixão em si

Eu tenho uma pasta onde eu guardo vários textos que eu gosto, imagens e tudo mais. Um deles é esse. Quando eu estava apaixonada pela milésima vez na vida ( e não estava sendo correspondida) , li esse texto e descobri que estar apaixonada é uma dádiva. A partir de então, fiquei feliz apenas por estar apaixonada. Correspondida ou não, aquele sentimento que me consumia era tão intenso que eu resolvi aproveitá-lo até o fim.

Paixão, mulheres e amigas
Por Danuza Leão


"O que as mulheres são capazes de fazer por uma paixão? Praticamente tudo. As apaixonadas vivem em outra dimensão e só se entendem com outras apaixonadas. Alguém, em seu estado normal, pode conceber que, na era pré-celular, havia quem passasse o dia inteiro em casa porque ele poderia telefonar? E, como nas casas só existia um telefone, ninguém podia falar, para não ocupar a linha. Converse com algumas mulheres dessa época e elas terão muitas histórias para contar, todas abso-lu-ta-men-te idênticas. Porque elas (nós), quando se apaixonam, são todas iguais. Experimente perguntar a sua amiga como foi que eles se conheceram, como tudo começou. E pode pegar um livro, disfarçadamente, pois ela vai falar durante horas sem que você precise dizer uma só palavra. As apaixonadas mentem para o chefe com a cara mais inocente e adoecem a tia ou a mãe sem nenhuma culpa, arriscando o emprego e talvez o futuro, para ficar com ele mais algumas horas na manhã de segunda-feira.

A criatividade de uma mulher apaixonada não tem limites. Se ele não é totalmente livre, digamos assim, ela vai descobrir o nome da outra, a profissão, o número do telefone do trabalho, o nome e a idade dos filhos em mi-nu-tos. Para uma mulher apaixonada, é fundamental ter uma amiga com poucos escrúpulos, muito tempo vago, hábil e com talento
para fazer todos os papéis, se for preciso - e sempre é. Porque ela é quem vai ligar à noite para saber se ele está em casa, vai se plantar dentro do carro até de madrugada para ver se ele entrará sozinho no apartamento ou com alguma vadia. Essa amiga topa dar uma festa só para você poder usar seu vestido mais sexy - e convidá-lo, claro. Quem tem uma amiga assim tem tudo na vida e, se tiver um amigo - pois às vezes é necessário uma voz de homem -, aí é o paraíso. São raros esses amigos tão preciosos, mas eles existem. Uma mulher apaixonada não hesita em cometer os maiores desvarios. Se o telefone dele
estiver ocupado durante muito tempo, ela é capaz de ligar para aquela mulher de quem desconfi a - e sabe o número de cor -, e, se o dela também estiver ocupado, é elementar: eles estão falando entre si.

Ah, as mulheres apaixonadas: por mais sérias que sejam, por mais responsáveis diante do mundo, viram doidivanas quando um homem consegue atingir seu coração. Elas são maravilhosas, todas tão diferentes e tão iguais; e não existe nada melhor do que ouvi-las
falando de seus amores. Entre o papo de duas adolescentes ou de duas mulheres várias vezes casadas e com filhos de diversos maridos, não há diferença. Afinal, não há maior estado de graça do que estar apaixonada. Se você tem uma ou duas amigas assim, aproveite para aprender o verdadeiro sentido da vida. E faça isso antes que alguém chame a ambulância do manicômio e o enfermeiro leve-as em camisa-de-força. A única chance que elas têm de escapar é se a psiquiatra for mulher e também estiver apaixonada; nesse caso, o papo vai se estender até o dia clarear. A três, é claro. O que seria do mundo sem as mulheres?"

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A espera entre as pessoas

O mais engraçado é que estamos sempre esperando que as pessoas sejam iguais a nós mesmos. Podemos falar que não, mas quando fazem algo que não faríamos ou quando elas simplesmente não fazem algo que esperávamos, nos decepcionamos. Tem uma frase que eu ouvi uma vez e que nunca me esqueci “Não devemos esperar mais do que as pessoas podem nos oferecer” e quando percebemos isso, fica mais fácil aceitar certas coisas. As pessoas têm momentos, fases, problemas e todo mundo sabe disso, mas quando se trata da gente queremos que o mundo inteiro esteja sempre de braços abertos, sorrindo e nos apoiando, falando aquilo que queremos ouvir. É fato que quando isso acontece, não existe coisa melhor. E acontece. Às vezes se uma pessoa não está disponível para te ouvir, outra vai estar. Por isso é sempre bom ter pelo menos 3 ou 4 pessoas com quem possamos realmente contar nessa vida. Mas a questão é que as pessoas não fazem toda vez, aquilo que nós esperávamos que elas fizessem.Não é por maldade, falta de preocupação ou por não gostarem de verdade da gente. É apenas algo que estamos exigindo e no momento, ela não pode nos oferecer. Ainda existem aquelas que possivelmente nunca poderão nos oferecer o que queremos. Tudo bem se você pode. Mas ela não. E é inevitável não nos comparamos aos outros nessas questões e ocasiões. Muitas vezes achamos que estamos dando tudo de melhor para alguém e de repente percebemos que para ela aquilo não significa muita coisa. É apenas uma questão de peso. O que é muito importante para você, para o outro pode não ser, enquanto algo muito simples para você pode significar o mundo para ela. Geralmente as brigas começam assim e só vão parar quando as pessoas notarem que somos diferentes. Não de uma forma geral, mas de uma forma bem específica. Quando percebemos essa diferença e aceitamos (não por completo, pois ainda continuaremos insistindo no nosso ponto de vista várias vezes) começamos a entender uma parte do que eu chamo de amor. Mas é só uma parte mesmo porque o resto desta parte está no fato de conseguirmos olhar para aquela pessoa e enxergar seu outro lado, sempre tentando ver o mundo pelo olhar dela. Às vezes conseguir, às vezes não, mas nunca desistir. E sinceramente acho que se compreendêssemos toda vez, perderia a graça e o desafio de amar não seria o melhor do mundo.

domingo, 12 de junho de 2011

Aos talentos perdidos


Existem algumas pessoas que se esquecem durante a vida. Não completamente ao ponto de não gostarem delas mesmas, mas de esquecer o que elas realmente querem ser. Elas podem e devem mudar de opinião e de sonhos várias vezes na vida, mas não abandoná-los por insegurança. Ser o tipo de pessoa que se esquece é quando colocamos aquele sonho que almejamos trancado tão lá no fundo, que esquecemos que ele existe. Mas ele não desaparece. Ele vem à tona justamente na pior hora. Ou não. Às vezes na hora certa de mudar, de chutar o balde e resolver ser aquilo que sempre se quis ser.

Hoje as pessoas buscam sempre por dinheiro, o que não é algo simplesmente consumista. É apenas questão de conforto e eu não julgo as pessoas que querem ter bastante dinheiro, para nunca terem dor de cabeça na hora de pagar as contas, viajar quando e quanto tempo quiserem. O problema é que nessa vida, uma coisa vai cobrindo a outra e o que era sonho, passa a ser descartável, tendo que seguir o que é já é garantido. E eu me pergunto. Garantia de que? As pessoas têm medo de se exporem ao ridículo, se exporem ao que as pessoas julgam, deixando de ser o certo para elas e sendo o certo de alguém. Por isso todo mundo parece sempre tão frustrado com tudo. Estão sempre reclamando do que são, do que fazem e do que poderia ter sido feito. E o problema é que quando esse sonho volta, elas nunca têm coragem de encará-lo de novo. Sempre estão muito velhas, muito cansadas, muito acomodadas para mudar e seguir em frente. Elas estão sempre com medo de que não dê certo. O que também não acho que seja covardia, apenas humano. Às vezes a vida não permite mais que erremos. Mas o pior é que ainda vamos errar e muito. Por isso eu acho que por mais difícil que seja, mudar para si próprio, para se sentir melhor nunca é desperdício de nada, muito menos de tempo. O fato de deixarem de lado aquilo que mais desejam é absurdo porque essa força é maior do que qualquer pessoa.

Existem tantos, mas tantos talentos perdidos por aí que nem se imagina. As pessoas querem ser o que nunca se imaginou ser. Se todos fizessem o que gostam como profissão ou até como hobby, o mundo seria mais feliz. E com certeza existiriam ainda todos os empregos. As pessoas, que são tantas no mundo, querem ser tudo. São pessoas tão loucas por aí e na verdade tão sãs. O que para você parece ser loucura, pra ela é a melhor coisa do mundo. Por isso existiria todo tipo de profissão e todo tipo de gente, porque as pessoas são diferentes em si. Tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo. Isso que é a coisa mais interessante quando nos relacionamos com qualquer ser humano. Todos têm sonhos, todos têm segredos, todos têm um passado. Todas as pessoas são transformadas pelo que existe ao redor e deixam de ser o que querem ser por vários motivos: Dinheiro, medo, preguiça, insistência, por outras pessoas falando que isso é errado, que não vai levar a nada, que sonhos são feitos apenas para sonhar. Pobres pessoas que ajudam a esconder, não descartar, o sonho dos outros, porque pela pessoa ele nunca será descartado por completo. Muitas vezes não é por mal, mas por medo também. Medo de ver a pessoa sofrer. Mas esse medo é tão imbecil porque todos nós vamos sofrer em algum momento da vida. Vamos sofrer seguindo nossos sonhos ou não. A única diferença é que sofrer pelo nosso sonho vai sempre valer mais a pena do que sofrer quando não se quer mais nada.

Outra coisa que deixa qualquer pessoa insegura é o fato dela amar aquilo, mas não se achar boa o suficiente. Ou até se achar boa o suficiente, mas não o bastante para subir na vida com aquilo. Mas ninguém, nem a pessoa mais talentosa do mundo, sobe e fica no topo, se não houver muito treinamento, técnica, batalhação, humildade, perseverança e muita, mas muita vontade. Posso até estar enganada, mas acredito que quando se deseja muito algo e quando se faz o que ama existe a probabilidade de ser o melhor do mundo. E cá pra nós, não é uma probabilidade baixa.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Às vezes eu fecho os olhos e peço baixinho pra o que eu quero aconteça. Eu rezo baixinho, quase chorando, com o coração apertado. Rezo pra Deus, universo, Iemanja. Tanto faz. Eu só peço. É baixinho, mas dentro de mim é um grito.Um grito tão alto que o mundo inteiro parece escutar. Como eu quero tanto isso. Viver disso. Viver da minha arte. Pra minha arte.
"Desejo é pouco. O que eu almejo não tem nome"
"Vai ver que se aborreceu com coisas bobas, que teve alegrias das quais tinha esquecido, que amores que pareciam eternos não foram tão eternos assim, que as coisas passam, que é fundamental ter esperança e que a vida vale a pena, sempre." Danuza Leão, minha ídola pra sempre.
rasgue as minhas cartas e não me procure mais. assim será melhor, meu bem.