sexta-feira, 30 de maio de 2014

As portas estão abertas, só falta atravessar.

É realmente muito difícil a gente abrir os olhos e perceber que as portas estão todas abertas, escancaradas na nossa frente. A gente pode escolher qualquer uma, mas é muito difícil aceitar uma mudança brusca na vida. Eu não sei se percebi isso depois que mudei de cidade e vim parar sozinha na cidade maravilhosa, que parecia mais caótica do que bonita nas primeiras semanas. Mas hoje consigo entender de uma forma que eu não entendia antes que, realmente podemos escolher a vida que queremos. Não, não é fácil. Não é como optar por comprar um picolé de limão ou chocolate, não é como optar por ir a uma festa ou ficar em casa.

Mudar significa chacoalhar com as nossas certezas, com nossas ideias e olhar tudo como se fosse novo. Já tive épocas em que eu amava rotina, outras em que eu queria deixar tudo de lado e me jogar no mundo. Me joguei. Sem a certeza de nada e com a expectativa de ser uma escritora e atriz foda num lugar onde todo mundo quer a mesma coisa. Não vou dizer que foi tranquilo e que não passei por noites em claro pensando o que eu fiz da minha vida, mas na manhã seguinte eu sentia o cheiro do mar e achava que eu não poderia estar em outro lugar. Meu lugar preferido é onde eu quero estar e agora me sinto muito mais aberta para as mudanças da vida.

Acho que eu tivesse que me mudar pra Bogotá, São Paulo ou Japão eu não teria problema. (Tá, Bogotá talvez não). Já me mudei antes, já sei que final dá certo, já morei sozinha, já passei aperto, conheci gente chata e pessoas que atravessaram minha vida e me causaram um tsunami mental. Eu sempre gostei muito gente. Dos gostos, das opiniões, das histórias. Confesso que também tenho muita preguiça de gente com discurso raso, mas já parei para ouvi-las e eram pessoas com um coração enorme, apesar da cabeça pequena. É muito difícil não julgar e mais difícil ainda quando a gente julga e quebra a cara. Mas acho que viver é se surpreender e pra se surpreender é preciso dar chances. Para os outros e para você mesmo. Eu tento sempre me dar uma segunda chance.

Muitas vezes, para que haja mudança é preciso que aconteça alguma coisa que te tire da zona de conforto. Uma morte, término de relacionamento, uma briga ou uma demissão. E quando isso acontece é muito mais difícil perceber que as outras portas ainda estão abertas. Parece que o mundo inteiro se fechou pra você. Só existe a sua janela aberta, olhando para as pessoas do prédio da frente, cheias de vidas, de expectativas com o futuro. Parece que o mundo acabou ali.

A gente vai voltando aos poucos ou às vezes dá um estalo e a gente muda o rumo das coisas. Eu sempre gostei de mudar o rumo das coisas. Quantas coisas falei que nunca faria e fiz. Subir num palco e interpretar um personagem? Nossa, pensei que jamais faria isso. Eu tinha medo até de ler um parágrafo na sala de aula da escola. Tinha muito medo de mim. Até que eu resolvi ir testando essas portas que estão sempre abertas para a gente. Algumas deram certo, outras eu preferia não ter aberto. Mas eu nunca saberia se eu não tivesse tentando.

Acho que dar errado é tão bom quanto dar certo, porque no final a gente sempre leva alguma coisa de bom. E quanto mais portas abrimos, mais percebemos que existem outras portas abertas e outras se abrem como uma dimensão infinita. E como eu gosto desse frio na barriga, do medo da mudança, de saber que eu sou livre, completamente livre pra ser o que e quem eu quiser. Sim, sim, eu sei que isso terá consequências. Mas depois de abrir algumas portas por escolha sua, você passa a aceitar as consequências de forma mais branda. Os resultados serão um problema seu (e de quem gosta muito de você, que vai encarar essas consequências também, sempre! Ainda bem que essas pessoas existem). Sei que vão falar um milhão de vezes “Não! O que você tá fazendo com a sua vida?” A única coisa que eu sei é que eu sei exatamente o que eu estou fazendo da minha vida. Eu estou vivendo. Porque eu não quero nunca achar que é tarde demais pra abrir e atravessar outra porta.


terça-feira, 27 de maio de 2014

A importância da fotografia analógica, apesar do meu amor pela tecnologia


Fotografia sempre foi uma das artes que admirei. Talvez porque eu seja meio nostálgica. A foto captura um momento e parece que o sentimento todo que pairava ali, fica preso em um rolo de filme.

A fotografia analógica captura a essência do momento em que a foto foi feita e por isso que me encantei tanto com a lomografia. Eu já tinha brincado com a ActionSampler, mas não tinha ousado experimentar muito. Gostava mais da ideia de ter uma foto tipo histórias em quadrinhos porque o efeito é simplesmente sensacional, mas depois me falaram que pra começar seria melhor usar a La Sardina.



Eu já conhecia o efeito e achava que as fotos ficariam nada demais, mas me surpreendi completamente. Esperava o momento exato, para tirar aquela foto especial, afinal eu só teria 36 fotos para gastar. Depois percebi que além de esperar um momento interessante para fotografar, o importante era não pensar na hora de apertar o clique e se jogar! O mais legal é conseguir captar a espontaneidade do momento e se divertir com os resultados depois.
Quando aprendi a fazer dupla exposição, não parei mais. Queria fazer o filme inteiro juntando uma foto na outra, mas aos poucos fui aprendendo a valorizar a foto normal e descobri que eu simplesmente amo o efeito nostálgico da La Sardina! Por ser uma câmera grande angular e não deixar as cores tão nítidas tive grandes surpresas ao digitalizar minhas fotos.

Depois de toda essa tecnologia que foi invadindo as nossas vidas (amém!), mexer com uma câmera que nos faça pensar duas vezes antes de tirar uma foto é um processo importante. É necessário aceitar que nossas escolhas têm consequências e principalmente um tempo para serem absorvidas. O processo de tomar cuidado ao fotografar e ficar ansiosamente esperando as fotos serem reveladas é algo que não é nada comum hoje em dia e infelizmente todos nós temos perdido essa essência  da espera das coisas. Queremos tudo com facilidade, rapidez, mas nos esquecemos de que a vida pede mais do que agilidade. A vida, na maioria das vezes, pede calma e paciência pra entender seus próprios ciclos. Quando nos deparamos com situações em que precisamos ser cautelosos, nos perdermos. Não estamos acostumados com aquilo que nos exige pensar e sentir ao mesmo tempo.
A fotografia analógica me ensinou que na vida a gente só tem um momento pra aproveitar aquele instante e pra conseguir a foto perfeita. Não adianta nada desperdiçar o filme. Tenho aplicado isso nos meus dias e tenho tomado muito cuidado ao fazer minhas escolhas, mas depois de fazê-las, apenas aperto o click e recebo as consequências da melhor forma possível.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eu gosto do incerto

A verdade é que eu não presto. Nunca prestei pra me enquadrar naquilo que falavam que era certo. Sempre amei muito e todo mundo ao mesmo tempo. Tudo no mesmo instante, tudo misturado. Sou constantemente decifrada, mas continuam querendo descobrir meu enigma. Meu segredo é simples. 

Eu gosto de gente, do segundo entre uma palavra e outra, do momento entre uma respiração e outra. Gosto do olhar nervoso que olha pro lado fingindo buscar alguma coisa na memória. Eu gosto dos dentes trincando e a mandíbula travada durante os silêncios da noite.

Eu gosto dol sol iluminando os fios de cabelo rebeldes. Sempre olhei as pessoas pelos cantos onde elas não controlam, não conseguem notar. E é aí que eu sempre me apaixono. Me encanto pelos espaços interferíveis das pessoas. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Meu herói no meu reino encantado

No meu reino, você seria um príncipe. Não, príncipe não. Você seria o rei. E eu faria questão de colocar você num altar bem alto e numa poltrona confortável pra você governar. Na verdade, no meu reino, você pode ser o que quiser. Você poderia ser um leão branco, que me salva das minhas encrencas. Talvez você fosse o herói. É, eu seria rainha, você rei. Nós dois seríamos heróis. Nós iríamos desbravar o mundo e salvar as pessoas delas mesmas. Você nem sabe, mas sempre me salva. Mesmo distante, consigo ouvir você cantando, quando eu vou dormir. Você vai ser pra sempre meu ídolo. Não importa se dentro de um estúdio ou num show com 1 milhão de pessoas. Vamos voar daqui e fazer arte. Você vai ser sempre minha inspiração.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Como não cair em um discurso raso e coxinha?

Foto por Theo Gosselin


Todo mundo opinando, todo mundo querendo ter uma opinião. Pra opinar de verdade, é preciso ter, pelo menos, mais de uma (várias) referência. É preciso questionar o que foi passado e SE questionar, que é a parte mais difícil.

Em primeiro lugar, não acredite em nada que você lê, ouve ou até vê. Pra ter certeza de alguma coisa, é melhor pesquisar antes de sair julgando e espalhando bobagens. Quantas vezes achamos que era uma coisa e era outra?

Segundo, pare de acreditar em discursos bestas. Estão falando mal da tecnologia, das redes sociais, do mundo. Pense com você mesmo: eu realmente penso assim? Se sim, por que não estou fazendo diferente?

Terceiro, não acredite em nenhum texto (ou comunicação) com verbos no imperativo. Você sabe o que é bom pra você. O autor do texto, o publicitário e seu "amigo" não sabem. Verbos imperativos querem sempre vender alguma coisa, seja um produto, um conselho ou uma informação. Escolha de quem você quer receber os conselhos, filtre tudo e escolha o que é realmente válido, porque a conta chega. No final, você vai perceber que deveria ter perguntando a SUA opinião, em primeiro lugar. 

Quarto, não aceite dicas de relacionamento e nem opiniões que generalizem alguma coisa. 

Quinto, os seres humanos não podem ser moldados em um texto com tópicos. As relações humanas não são simples de resolver, como uma receita de bolo. Os seres humanos são complexos e nossa época mais complexa ainda, então para, só para de querer enquadrar as coisas. É tudo tão mutável. Tenha paciência para entender o outro, para olhar, ouvir e perceber que, às vezes, não existe explicação ou funcionalidade naquilo. "A mensagem da flor, é a flor em si". 

Sexto, não acredite em nada que eu falei nesse texto escrito em tópicos e no imperativo. Só quero vender minha rasa opinião e você é melhor que isso. Você consegue passar por esse texto e se questionar sobre tudo que está escrito aqui. Repense, me ache uma idiota, concorde, repense de novo e você vai saber o que será útil ou não pra você.

Sétimo, desconsidere tudo que eu falei.